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“O PEIXE APODRECE PELA CABEÇA”


“Você já viu um peixe apodrecer? Tal como algumas pessoas, ele apodrece da cabeça para o resto do corpo.”

Assim, começou um de seus famosos sermões, o Padre António Vieira, missionário no Brasil do século XVII. Alguns séculos depois, muitas cabeças continuam apodrecendo em nosso imenso cardume. Me estarrece ver mentes jovens retrógradas. Pequenos reacionários que não vivenciaram a história e mal viveram a vida, pedindo intervenção militar, volta da ditadura, divisão do país, fazendo saudações nazistas etc. Gritam palavras de ordem que me gelam a espinha.

Assistimos antes das eleições um total desrespeito às divergências. Pessoas que não queriam discutir política, mas projetar suas frustrações e esperanças em seus candidatos.

Mas o pior ainda estava por vir. Com o resultado das eleições, já no primeiro turno, o ódio contido de muitos descontentes infestou as redes sociais em forma de vídeo, texto, fotos, memes. Foi preconceito para satisfazer todos os apetites: contra negros, pobres, favelados, nordestinos, mulheres, gays, evangélicos etc. Será que esqueci alguém?

Nossa história é de exploração, somos filhos da violência, netos

do saque, da corrupção, tataranetos do estupro de índias e negras. Em um país que não tinha mulher, o tráfico de mulheres indígenas e as visitas aos aposentos das mucamas era não só permitido, como incentivado.

Este contexto exploratório acabou criando um Brasil plural e cheio de castas. Quando falamos em negros, estamos falando de quem? Dos bantos, yorubas, efons, malês?

Quando nos referimos aos índios, quais etnias estamos citando? Tupis, guaranis? Jês? Aruaks? Quais brancos? Portugueses, franceses, holandeses, italianos, alemães e tantos outros? Pra não falar dos orientais: japoneses, chineses, coreanos.

O Brasil é tudo isso e mais um pouco. Quero um país que dê um exemplo de união para o resto do mundo e não um país dividido. Vamos discutir ideias, propostas, aceitar que pensamentos contrários possam existir, sem ataques, sem disseminação de ódio, sem gritos.

Uma democracia ideal é aquela em que pessoas são pessoas sem rótulos. Gays, socialistas, negros, nordestinos, empresários, pobres, mulheres, espíritas, favelados, ricos, aposentados, evangélicos, judeus, flamenguistas, vascaínos, católicos: uni-vos em um grande carnaval. A terra é nossa!!!!

A bandeira do Brasil é a única que tem uma bola azul no meio. Vamos dar um exemplo de amor ao Planeta! Sejamos enfim, o país do futuro.


#cidadania #política #Brasil

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