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CAPITÃO-VÍRUS

Há duas forças em choque. É nítido. Bannon e a Cambridge Analytica sabem. A polarização deixou isso muito claro. Apagaram todas as nuances. Os algoritmos também sabem. Eles lucram bastante e escolhem o que será exposto e o que será jogado às sombras. Não dá mais para ficar em cima do muro. Ninguém vai surfar nessa pororoca. O bafo da morte calou até os mais radicais. A maioria dos líderes mundiais recuou. Com excessão da Bielorrússia e Brasil. Neste último, aconteceu algo curioso. Algo que só Stan Lee poderia escrever em seus quadrinhos da Marvel. Como disse o filósofo Paulo Ghiraldelli em seu vlog: o vírus não encontrou um simples hospedeiro em Bolsonaro. Houve uma mutação. Os dois agora são um só. Finalmente, o presidente poderá pôr em prática seu plano de destruição da república. O capitão-vírus não quer acabar com a democracia. Ele quer arruinar a constituição, as instituições e toda a coisa pública. O mundo ideal para o clã Bolsonaro é o caos. Assim como as milícias, Edir Macedo e Malafaia, a família Bozo também se criou no Rio. Eles querem espalhar seu modelo para o resto do país: o anarco-capitalismo-miliciano-neopentecostal. Na sociedade ideal destes mutantes não haverá impostos nem Estado. Nada disso. Haverá apenas pastores milicianos, propinas e dízimos. Esse cenário distópico de filme de ficção está sendo desenhado há tempos. Ele faz parte de um cenário maior onde o capitalismo, enfim, chegou em seu expoente máximo. Os recursos circulam livremente enquanto nós estamos trancados. Capital significa cabeça de gado. A primeira moeda que o homem inventou. Mas para onde está indo esta boiada? Quem é o boiadeiro, onde pasta? Qual o lastro do papel moeda? Qual o lastro das ações ou títulos das dívidas públicas? E deste dinheiro digital, dividendos, juros? Do que é feito isso tudo? Se o dinheiro é o sangue da sociedade, várias partes deste corpo já estão gangrenando e não é de hoje. Bebemos água poluída, consumimos agrotóxicos, carne envenenada. Está tudo podre. E Bolsonaro está certo quando diz que sobrevivemos no esgoto. Ele é um monstro que emergiu dos bueiros e teve ajuda de muita gente sedenta para ver a merda transbordar. Nunca enganou ninguém. Disse todos os absurdos inimagináveis em sua campanha. Quando o staphylococcus subiu a rampa e colocou a faixa presidencial, era só mais um excremento de Steve Bannon espalhado pelo globo terrestre. Mas agora ele entrou em mutação. Agora é a própria doença. A peste que assolará nossos dias e ceifará muitas vidas. Ele quer infectar, matar e destruir.

No meio disso tudo, há uma cena que pode indicar a nossa salvação: um dos veículos obedientes à carreata da morte, orquestrada pelo presidente mutante, era um carro conversível que foi coberto de bosta de cavalo. O povo está despertando do transe e devolvendo as criaturas do esgoto para o seu lugar. Nessa guerra escatológica é necessário que coloquemos um selo de merda em cada um que está se pronunciando contra a vida. O governo que atrasa a ajuda de custo para os mais necessitados, as pessoas que não precisam sair mas estão saindo de suas casas para infectar aqueles que realmente precisam trabalhar, são os empresários que dizem que o número de mortes será insignificante, os pastores que mantém suas igrejas abertas, aqueles que poderiam doar milhões e nada fazem, os que lucram com o álcool gel, máscaras e afins. A lista é grande. Você sabe quem são. Nós sabemos. Ou mudamos o mundo agora, ou estaremos escrevendo o primeiro capítulo do nosso fim. E se há uma palavra que pode definir a causa mortis da nossa sociedade, esta palavra é o egoísmo.

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